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Samanta - Cartas de um amante

Mais uma carta depois de tanto tempo! Ela vem me dizer que está feliz novamente... "Que saudade!!!! A tempos não lhe escrevia, eu sei, mas tenho andado um pouco ocupada tentando entender o que se passa aqui. Encontrei meu grande amor! Dessa vez sei que vai dar certo! Na próxima te contarei mais detalhes! Com carinho, Samanta." Ela sonha somente esquecer todo aquele passado Tenta mais uma vez viver um grande amor... Mas seus medos a acompanham... Será que ela nunca vai saber amar... Ou o amor que nunca soube dela??? Ela tenta... Seu coração palpita ao ve-lo... Espero não receber mais cartas chorosas... Ou espero recebe-las em breve...

O revolucionário

Em mais um de nossos reencontros Me olhavas sob cílios de descrença Nada que não passa de dúvidas internas sobre sua própria existência E da sua boca saía somente Sarcasmo e ironia... Por vezes tentava até me explicar sua literatura revolucionária Algo baseado em uma descrença. Algo inspirado em nada... Tudo para ocultar o medo de um Deus. Vivo ou morto.. Fala da ausência de um Deus que acredita não existir... Mas ainda sim continua falando... Também critica meus versos antiquados, românticos e simples... Pois tua alegria é seguir pensamentos que não são teus Tens medo das suas dúvidas E daquele Deus que você não acredita! Canta-me uma suposta revolução... Nada que me agrade... O que são suas frases além de estercos que adubam minhas ideias? Seu sumiço me inspira...
As miragens antes sonhadas desapareceram como num passe de mágica. A menina que sonhava, hoje tem que viver. Ela sorri como se fosse tudo um maravilhoso sonho. Mas sem contar pra ninguém Ela desacreditou em todos aqueles Só contava-os para acreditar que fossem verdades Até pensa parar de escrever aquelas cartas remetidas para ningém. Pura ingenuidade acreditar até que a realidade existe... Símiles, hipérboles e mesóclieses não fazem mais tanto sentido.
Ele queria aquela dama menos que seu orgulho. Mais que sua vontade. Buscou-a em milhões de corpos, mas nunca encontrou-a Voltas e mais voltas dadas obrigaram-no a parar, de tão tonto. O passado nunca o havia obrigado tanto a olhar para trás. Foi quando viu em sua frente. Parada, quieta, calada... Pegou sua mão e falou simplesmente: - Siga-me. Voltaram juntos. Ela o estava esperando.

Amor e medo - ultima carta?

Com tantas marcas na alma ela ficou um bom tempo sem me escrever... Eu todos os dias verificava minha caixa de correios... eram propagandas, cobranças, mas nunca mais as letras infantis daquela senhora... Até que uma noite surge por sob a porta um papel molhado... não sei se de lágrimas ou da chuva forte que caia... Não deu tempo de ver ninguém colocando aquele papel... quando vi, já estava lá! " Querido, sinto a demora na hora de demonstrar meus sentimentos... Nem tenho mais a certeza de sentir... Não sei se é realmente o que eu quero... Amar? sofrer... Tua poesia satisfaz meu ego, mas não meu coração... sinto, não mais lhe escreverei, talvez não procures mais minhas cartas, mas desta vez meus olhos a te fitar... te implorar.. tão perto e tão longe... distante... A longa distancia de um olhar!" Nunca fiquei tão confuso quanto desta vez.

Hoje

Mas chorando o triste fim de um amor não amado Foi-se embora permitindo-lhe apenas um até já Mesmo querendo ficar Com um triste beijo na face teve que partir Sua vontade era debulhar-se em lágrimas Mas as guardava para o próximo momento de dor Andou por aquela rua deserta se perguntando - Será que por alguma sorte ele surgirá gritando se arrepender? O que passou foi um homem quase desconhecido Ofereceu-lhe ajuda E querendo provar os lábios do homem amado Beijou aquele no qual nunca pensou Foi dormir querendo seu amor...

Rafaela

Por revolta, ela tirou a roupa Não tem mais meios, nunca foi pura Ela deitou-se Ele não queria Deitou-se também Antes que amanhecesse o dia Tomou um banho frio e foi embora Já estava na hora Ela não satisfazia mais o seu desejo Nem os beijos eram tão saciáveis Ele era um passarinho e ela uma linda gaiola.